Susto

Por Rebecca, em 27/02/2009, sobre Perséfone
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Há exatos dez dias mandei esterelizar – continuo com a dúvida: fêmea pode ser CASTRADA? Falta o pré-requisito anatômico, não? mas enfim… – minha filhotinha. Primeiro, precisei me acostumar com a ideia de uma histerectomia naquela coisa pequena e safada de meu Deus. Considerando que ela é de rua, ou Royal Street Cat, como prefiro chamar, e não seria uma reprodutora mega-hiper-ultra lucrativa (no máximo eu teria vira-latinhas para doar, além de ter que "sobreviver" periodicamente ao cio num condomínio de 4 andares), o item 1 foi tirado de letra. Depois veio a questão da anestesia (injetável? inalatória?) e da internação com pernoite (fazê-la ou não fazê-la?)… Tudo resolvido dentro da minha cabecinha de mãe de primeira viagem, marquei o procedimento com a veterinária que nos atende desde que a Perséfone veio para casa.

Aí ouvi comentários de que a clínica não é das melhores. Gelo nas veias. Respirei fundo, mas mantive a cirurgia, com São Francisco e os anjinhos da guarda ao meu lado.

As primeiras palpitações vieram quando recebi a conta: R$100 a mais do que o preço já salgado pago, em média, nesta cidade de gente que come ovo e arrota caviar. Uma operação idêntica em São Paulo (em Minas, ou no Rio) custa em torno de um quarto do que a gente desembolsa por aqui. E me cobraram o hemograma por fora! Foram R$10 só pela retirada do sangue!

Batimentos cardíacos a 120 por minuto: 14 dias (sim, catorze!!!) para tirar os pontos. Pelo menos, a Pepinha voltou para casa desperta e sem enjoo, comeu bem e dormiu comigo. No dia seguinte já pulava no meu ombro para subir na geladeira.

E a taquicardia extrema… na sexta-feira passada, a convalescente arrancou o esparadrapo e deixou à mostra uma cicatriz de 5 centímetros, do umbigo até embaixo, com pontinhos espaçados! Eu juro, quis processar o mundo. Chorei, pedi desculpa para a gata, liguei para as amigas, chorei mais ainda, mas finalmente fui tomar umas caipiroscas e me acalmei. Minha fornecedora de gatos acha que houve alguma complicação e os vets precisaram cortar mais, mas a notícia oficial que tive no dia da intervenção foi um "maravilhosamente bem" tão convincente que pensei que algum discípulo do Pitanguy tivesse feito o serviço.

Bem, o local está sequinho, os pelos já estão nascendo de novo e minha Preta nem sabe que todo esse quiprocó aconteceu. Meu único dilema agora é decidir se volto à mesma médica para a retirada dos pontos (e provável tirada de satisfações)… ou se procuro outro alguém que nos faça feliz.

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